Porque não comer carne animal
Visão espiritual -03

PERGUNTA: - Por que motivo considerais que o homem se inferioriza ao selvagem, na alimentação carnívora, se ele usa de processos eficientes, que visam evitar o sofrimento do animal no corte? Não concordais em que o homem também atende à sua necessidade de viver e se subordina a um imperativo nutritivo que lhe requer uma organização industrial?

RAMATIS: - O selvagem, embora feroz e instintivo, serve-se da carne pela necessidade exclusiva de nutrição e sem transformá-la em motivos para banquetes e libações de natureza requintada; entre os civilizados, entretanto, revivem esses mesmo apetites do selvagem mas, paradoxalmente, de modo mais exigente, servindo de pretexto para noitadas de prazer, sob as luzes fulgurantes dos luxuosos hotéis e restaurantes modernos. Criaturas ruidosas, álacres, e que apregoam a posse de genial intelecto, devoram, em mesas festivas, os cadáveres dos animais, regados pelos temperos excitantes, enquanto a orquestra famosa executa melodias que se casam aos odores da carne carbonizada ou do cozido fumegante! Mas sabei que as poéticas e sugestivas denominações dos pratos, expostas nos cardápios afidalgados, não livram o homem das conseqüências e da responsabilidade de devorar as vísceras do irmão inferior!

Apesar dos floreios culinários e da "minuta" de iguarias "sui generis", que tenham atenuar o aspecto repugnante das vitualhas sangrentas, os homens carnívoros não conseguem esconder a realidade do apetite desregrado humano! Aqui, a designação de "dobradinha à moda da casa" apenas disfarça o repulsivo ensopado de estômago de boi; ali, os sugestivos "miúdos à milanesa" são apenas retalhos de vesículas de fígado, traindo o sabor amargo da bílis animal; acolá, os "apetitosos rins no espeto" não conseguem sublimar a sua natureza de órgãos excretores da albumina e da uréia, que ainda se estagnam sob o cutelo mortífero. Embora se queira louvar o esforço do mestre culinário, o "mocotó à européia" não passa de viscoso mingau de óleo lubrificante de boi abatido; os "frios à americana" não vão além de vitualha sangrenta, e a "feijoada completa" é apenas um nauseante charco de detritos cozidos na imundice do chouriço denegrido, dos pés, películas e retalhos arrepiantes do porco, que ainda se misturam à uréia da banha gordurosa!

É evidente que se deve desculpar o bugre ignorante, que ainda se subjuga à nutrição carnívora e perverte o seu paladar, porque a sua alma atrasada ignora a soma de raciocínios admiráveis que ao civilizado já é dado movimentar na esfera científica, artística, religiosa e moral. Enquanto os banquetes pantagruélicos dos Césares romanos marcam a decadência de uma civilização, a figura de Gandhi, sustentado a leite de cabra, é sempre um estímulo para composição de um mundo melhor.

 

 

 

PERGUNTA: - Deveríamos, porventura, violentar o nosso organismo físico, que é condicionado milenarmente à alimentação de carne? Certos de que a natureza não dá saltos e não pode adaptar-se subitamente ao vegetarianismo, consideramos que seria perigosa qualquer modificação radical nesse sentido. O nosso processo de nutrição carnívora já é um automatismo biológico milenário, que há de exigir alguns séculos para uma adaptação tão insólita. Quais as vossas considerações a esse respeito?

 

 

RAMATIS: - Não sugerimos a violência orgânica para aqueles que ainda não suportariam essa modificação drástica; para esses, aconselhamos gradativamente adaptações do regime da carne de suíno para o da de boi, do de boi para o de ave e do de ave para o de peixe e mariscos. Após disciplinado exercício em que a imaginação se higieniza e a vontade elimina o desejo ardente de ingerir os despojos sangrentos, temos certeza de que o organismo estará apto para se ajustar a um novo método nutritivo de louvor espiritual. Mas é claro que tudo isso pede por começar e, se desde já não efetuardes o esforço inicial que alhures tereis de enfrentar, é óbvio que hão de persistir tanto esse tão alegado condicionamento biológico como a natural dificuldade para uma adaptação mais rápida. Mas é inútil procurardes subterfúgios para justificar a vossa alimentação primitiva e que já é inadequada à nova índole espiritual; é tempo de vos asseardes, a fim de que possais adotar novo padrão alimentício. Inegavelmente, o êxito não será alcançado do modo por que fazeis a substituição do combustível de vossos veículos; antes de tudo, a vossa alma terá que participar vigorosamente de um exercício, para que primeiramente elimine da mente o desejo de comer carne.

Muitas almas decididas, que já comandam o seu corpo físico e o submetem à vontade da consciência espiritual, tem violentado esse automatismo biológico da nutrição de carne, do mesmo modo porque alguns seres extinguem o vício de fumar, sob um só impulso de vontade. Também estais condicionados ao vício da intriga, da raiva, da cólera, do ciúme, da crueldade, da mentira e da luxúria; no entanto, muitos se libertam repentinamente dessas mazelas, sob hercúleos esforços evangélicos.

É reconhecendo a debilidade da alma humana para as libertações súbitas, e preparando-vos psiquicamente para repudiardes a carne, que tempos procurado influenciar o mecanismo do vosso apetite, dando-vos conselhos cruamente e de modo ostensivo, de modo a que mais facilmente vos liberteis dos exóticos desejos de assados e cozidos, que, na realidade, não passam de rebotalhos e cadáveres que vos devem inspirar náuseas e aversão digestivas. Daí as nossas preocupações sistemáticas, em favor do vosso bem espiritual, para que ante a visão, por exemplo, de dobradinhas "saborosas" que rescendem ao molho odorante, reconheçais, na verdade, as tétricas cartilagens que protegem a região broncopulmonar do boi, em cujo local se processam as mais repugnantes trocas de matéria corrompida!

 

 

 

PERGUNTA: - Porventura os cuidadosos exames a que são submetidos os animais, antes do corte, não afastam a possibilidade de contaminarem o homem com qualquer enfermidade provável?

 

 

RAMATIS: - Essa profilaxia de última hora não identifica os resíduos da enfermidade que possa ter predominado no animal destinado ao corte e que, evidentemente, não deixou vestígios identificáveis à vossa instrumentação de laboratório. Apesar dos extremos cuidados de higiene e das medidas de prevenção do matadouros, ainda desconheceis que a maioria dos quadros patogênicos do vosso mundo se origina na constituição mórbida do porco! O animal não raciocina, nem pode explicar-vos a contento as suas reais sensações dolorosas conseqüentes de suas condições patogênicas. O veterinário criterioso enfrenta exaustivas dificuldades para atestar a enfermidade do animal, enquanto que o ser humano pode relatar, com riqueza até de detalhes, as suas perturbações, o que então auxilia o diagnóstico médico. Assim mesmo, quantas vezes a medicina não descobre a natureza exata dos vossos males, surpreendendo-se com a eclosão de enfermidade diferente e que se distanciava das cogitações familiares! Às vezes, um simples exame de urina, requerido para fins de somenos importância, revela a diabete que o médico desconhecia no seu paciente; um hemograma solicitado sem grandes preocupações pode atestar a leucemia fatal! As enfermidades próprias da região abdominal, embora explicadas com riqueza de detalhes pelos enfermos, muitas vezes deixam o clínico vacilante quanto a situar uma colite, uma úlcera gastroduodenal ou um surto de ameba histolística! Uma vez que no ser humano é tão difícil visualizar com absoluta precisão a origem dos seus males, requerendo-se múltiplos exames de laboratório para o diagnóstico final, muito mais difícil será conhecer-se o morbo que, no animal, não se pode focalizar na sintomatologia comum. Quantas vezes o suíno é abatido no momento exato em que as iniciou um surto patogênico, cuja virulência ainda não pôde ser assinalada pelo veterinário mais competente, salvo o caso de rigorosa autópsia e meticuloso exame de laboratório! Para isso evitar, a matança de porcos exigiria, pelo menos, um veterinário para cada animal a ser sacrificado.

Os miasmas, bacilos e germes e coletividades microbianas famélicas, que se procriam no caldo de cultura dos chiqueiros, penetram na vossa delicada organização humana, através das vísceras do porco, e debilitam-vos as energias vitais. Torna-se difícil para o médico situar essa incursão patogênica, inclusive a sua incubação e o período de desenvolvimento; por isso, mais tarde, há de considerar a enfermidade como oriunda de outras fontes patológicas.

PERGUNTA: - Julgais, porventura, que a alimentação carnívora possa trazer prejuízos físicos, de vez que a criatura já está condicionada, há milênios, a essa forma nutritiva? Qual a culpa do homem em ser carnívoro, se desde a sua infância espiritual ele foi assim condicionado, de modo a poder sobreviver no mundo físico?

RAMATIS: - Repetimo-vos: nem todas as coisas que serviram para sustentar o homem, nos primórdios da sua vida no plano físico, podem ser convenientes, no futuro, quando surgem então novas condições morais ou psicológicas e a criatura humana pode cultuar concepções mais avançadas. Antigamente, os ladrões tinham as suas mão amputadas, e arrancava-se a língua aos perjuros. Desde que vos apegais tanto ao tradicionalismo do passado, por que aos maledicentes modernos não aplicais essas disposições punitivas, brutais e impiedosas? Os antigos trogloditas comiam sem escrúpulo os retalhos de carne impregnados dos detritos do chão; no entanto, atualmente, usais pratos, talheres, e lavais os alimentos. Certamente, alegareis a existência, agora, de um senso estético mais progressista, e que também tendes mais entendimento das questões de higiene humana; mas não concordais, no entanto, em que esse senso estético avançado está a pedir, também, a eliminação da carne de vossas mesas doentias!

Quando o homem ainda se estribava na ingestão de vísceras de animais, a fim de sobreviver ao meio rude e agressivo da matéria, a sua alma também era compatível com a rudeza do ambiente inóspito mas, atualmente, o espírito humano já alcançou noções morais tão elevadas, que também lhe compete harmonizar-se a uma nutrição mais estética. Não se justifica que, após a sua verticalização da forma hirsuta da idade da pedra, o homem prossiga nutrindo-se tão sanguinariamente como a hiena, o lobo a raposa ou as aves de rapina! Além de brutal e detestável para aqueles que desejam se libertar dos planos inferiores, a carne é contínuo foco de infecção à tessitura magnética e delicada do corpo etéreo-astral, do homem.

 

 

 

PERGUNTA: - E que dizeis, então, daqueles que são avessos à ingestão da carne de porco e que a consideram realmente doentia e repugnante, devido à forma nauseante de engorda dos porcos dos chiqueiros?

 

 

RAMATIS: - Embora essa aversão particular pela carne de porco seja um passo a favor da própria saúde astrofísica, nem por isso desaparecem outros nefastos processos nutritivos, que preferem, e que lhes anulam a primeira disposição. Os mórbidos cuidados técnicos e as exigências científicas continuam noutros setores onde se procura o bem exclusivo do homem e o máximo sacrifício do animal. Aqui, mórbidos industriais criam milhões de gansos sob regime específico, desenvolvendo-lhes o fígado de tal modo, que as aves se arrastam pelo solo em macabros movimentos claudicantes, a fim de que a indústria do "paté de foi-gras" obtenha substância mais rica para o enlatamento moderno; ali, peritos humildes batem apressadamente o sangue do boi, para transformarem-no em tétricos chouriços de substância animal coagulada; acolá, não perdeis, sequer, os órgãos excretores do animal, embora os saibais depósitos de venenos e detritos repugnantes; raspados e submetidos à água fervente, os transformais em quitutes para a mesa festiva! A panela terrícola absorve desde o miolo do animal até os sulcos carcomidos de suas patas cansadas!

E, não satisfeitas da nutrição mórbida da semana, algumas criaturas escolhem o mais belo domingo de céu azul e sol puro para, então, praticar a caça destruidora às aves inofensivas, completando cruelmente a carnificina da semana! Os bandos de avezitas, de penas ensangüentadas, vem para seus lares onde, então, se transformam em novos pitéus epicurísticos, a fim de que o caçador de aves obtenha alguns momentos lúbricos enquanto tritura a carne tenra dos pássaros inofensivos. Quantas vezes a própria natureza se vinga da ignomínia humana contra os seus efeitos vivos! Súbito, o caçador tromba agonizante junto ao cano assassino de sua própria arma, no acidente imprevisto, ou do disparo imprudente do companheiro desavisado! Alhures, a serpe, a bactéria infecciosa ou o inseto venenoso termina tomando vingança contra a caçada inglória!

Que importa, pois, que muitos sejam avessos à ingestão da carne do boi ou do suíno, quando continuam requintando-se noutros repastos carnívoros e igualmente incoerentes para com o sentimento espiritual que já devia predominar no homem!

 

 

 

PERGUNTA: - Que dizeis dos novos recursos preventivos, nos matadouros modernos, em que se aplicam antibióticos para se evitar a deteriorização prematura da carne? Essa providência não termina extinguindo qualquer perigo na sua ingestão?

 

 

RAMATIS: - Trata-se apenas de mais um requinte doentio do vosso mundo, e que revela o deplorável estado de espírito em que se encontra a criatura humana. O homem não se conforma com os efeitos daninhos que provem de sua alimentação pervertida e procura, a todo custo, fugir à sua tremenda responsabilidade espiritual. Mas não conseguirá ludibriar a lei expiatória; em breve, novas condições enfermiças se farão visíveis entre os insaciáveis carnívoros protegidos pela "profilaxia" dos antibióticos. Além do efeito deletério da carne, que se intoxica cada vez mais com a própria emanação astral e mental do homem desregrado, encontrar-vos-eis às voltas com o preciosismo técnico de novas enfermidades situadas no campo das alergias inespecíficas, como produtos naturais das reações antibióticas nos próprios animais preparados para o corte!

Espanta-nos a contradição humana, que principalmente produz a enfermidade no animal que pretende devorar, e em seguida aplica-lhe a profilaxia do antibiótico!

 

 

PERGUNTA: - Podeis dar-nos um exemplo dessa contradição?

 

RAMATIS: - Pois não A vossa medicina considera que o homem gordo, obeso, hipertenso, é um candidato à angina e à comoção cerebral; classifica-o como um tipo hiperalbuminóide e portador de perigosa disfunção cárdio-hepato-renal. A terapêutica mais aconselhada é um rigoroso regime de eliminação hidrossalina e dieta redutora de peso; ministra-se ao homem alimentação livre de gorduras e predominantemente vegetal, e o médico alude ao perigo da nefrite, ao grave distúrbio no metabolismo das gorduras e à indefectível esteatose hepática. Cremos que, se os velhos pajés antropófagos conhecessem algo de medicina moderna e pudessem compreender a natureza mórbida do obeso e sua provável disfunção orgânica, de modo algum permitiriam que suas tribos devorassem os prisioneiros excessivamente gordos! Compreenderiam que isso lhes poderia causar enfermidades inglórias, em vez de saúde, vigor e coragem que buscavam na devora do prisioneiro em regime de ceva!

Mas o homem do século XX, embora reconheça a enfermidade das gorduras, devora os suínos obesos, hipertrofiados na engorda albumínica, para conseguir a prodigalidade da banha e do toucinho: primeiro os enferma em imundo chiqueiro, onde as larvas, os bacilos e microorganismos, próprios dos charcos, fermentam as substâncias que alimentam os oxiúros, as lombrigas, as tênias, as amebas colis ou histolíticas. O infeliz animal, submetido à nutrição putrefata das lavagens e dos detritos, renova-se em suas próprias dejeções e exsuda a pior cota de odor nauseante, tornando-se o transformador vivo de imundícies, para acumular a detestável gordura que deve servir às mesas fúnebres. Exausto, obeso, letárgico e suarento, o porco tomba ao solo com as banhas fartas e fica submerso na lama nauseante; é massa viva de uréia gelatinosa, que só pode ser erguida pelos cordames, para a hora do sacrifício no matadouro. Que adianta, pois, o convencional beneplácito de "sadio", que cumpre ao veterinário, na autorização para o corte do animal, quando a própria ciência humana já permitiu o máximo de condições patogênicas!

De modo algum essa tétrica "profilaxia" antibiótica livrar-vos-á da seqüência costumeira a que sois submetidos implacavelmente; continuareis a ser devorados, do mesmo modo, pela cirrose, a colite, a úlcera, a tênia, o enfarte, a nefrite ou o artritismo; cobrir-vos-eis, também, de eczemas, urticárias, pênfigo, chagas ou crostas sebáceas; continuareis, indubitavelmente, sob o guante da icterícia, da gota, da enxaqueca e das infecções desconhecidas; cada vez mais enriquecereis os quadros de patogenia médica; que vos classificarão como "casos brilhantes" na esfera principal das síndromes alérgicas.

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